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Covid-19: quantos dias de isolamento?

A partir de 10 de janeiro, o período de isolamento é de 7 dias para quem testa positivo para a covid-19 e é assintomático ou com doença ligeira. Se contactar com um caso positivo, as medidas aplicadas vão depender do grau de risco, mas todos devem fazer teste até ao 3.º dia. Explicamos as diferentes situações.

  • Dossiê técnico
  • Susana Santos
05 janeiro 2022
  • Dossiê técnico
  • Susana Santos
pessoa em isolamento ou quarentena por covid-19 olha através de uma persiana de uma janela

iStock

Uma pessoa que tenha testado positivo à covid-19 tem alta clínica e pode sair de casa ao fim de sete dias desde que não apresente febre ou tenha uma melhoria dos sintomas há mais de três dias, sem ter necessidade de apresentar um teste negativo. A duração da infecciosidade depende sobretudo da gravidade da doença desenvolvida e da competência da resposta imunitária, pelo que doentes graves ou com imunossupressão ficam 20 dias em isolamento. Pessoas que desenvolvam doença moderada ficam em isolamento durante dez dias.

Já para os que contactaram com alguém com covid-19, as medidas a implementar vão depender se foi considerado um contacto de alto ou baixo risco, tendo em conta vários critérios, entre eles o estado do esquema vacinal (com ou sem reforço). Apenas os contactos de alto risco ficam em isolamento durante sete dias.

Estes novos critérios entram em vigor a 10 de janeiro. No entanto, o tempo mínimo preconizado para isolamento, isto é, os sete dias, aplica-se aos casos de isolamento em curso. Ou seja, considera-se que as pessoas com infeção confirmada, assintomáticas ou com doença ligeira cumpriram integralmente o período de isolamento se, ao dia 5 de janeiro, estiverem há sete dias ou mais isoladas.

Qual o período de isolamento se testar positivo à covid-19?

A decisão de o período de isolamento de um caso covid-19 positivo ser de sete dias em algumas situações baseia-se sobretudo na análise da evidência científica e nos estudos que têm sido efetuados ao modo como se comporta o novo coronavírus. 

Em primeiro lugar, é do conhecimento científico que o facto de se testar positivo, ou seja, de ser detetado ácido ribonucleico (RNA) viral num teste molecular usado para pesquisa do novo coronavírus (RT-PCR), não significa necessariamente que a pessoa possa transmitir o vírus. Alguns dos fatores que determinam o risco de contágio são a capacidade de replicação do SARS-CoV-2 (ou seja, se o vírus é ou não competente), se o paciente tem sintomas (como tosse, que pode disseminar gotículas contaminadas), a gravidade da doença e o comportamento do doente aliado a fatores ambientais (por exemplo, se consegue manter o distanciamento social e se frequenta ou não espaços fechados que sejam devidamente arejados).

Além disso, sabe-se que entre a exposição ao SARS-CoV-2 e o início dos primeiros sintomas existe um período de um a três dias durante o qual a carga viral vai aumentando e que, mesmo na ausência de sintomas, há já a possibilidade de transmissão do vírus. Neste tempo, a pessoa pode nem sequer desconfiar que está contaminada porque o corpo não mostra qualquer sinal. Quando surgem os primeiros sintomas de contaminação por covid-19, já a carga viral está próxima do seu limite máximo. Nesta fase, a pessoa não só é portadora do vírus como este tem um potencial de contágio galopante. O risco de transmissão é maior quando começam os sintomas ou nos dias mais próximos do início dos sintomas e nos primeiros cinco dias depois de a doença se ter manifestado.

Fonte: "Virology, transmission, and pathogenesis of SARS-CoV-2", The BMJ, 2020 (adapt.).

Os dados apontam também que, cinco a dez dias depois do contágio, o corpo da pessoa infetada inicia gradualmente a produção de anticorpos. Considera-se expectável que esses anticorpos tenham um efeito gradualmente neutralizante face ao vírus, o que reduzirá o risco de transmissão do mesmo.

Nos estudos efetuados, em pacientes com formas ligeiras a moderadas da doença, o vírus competente (com capacidade para se replicar e transmitir) não foi detetado dez dias depois do aparecimento dos primeiros sintomas. Segundo ficou documentado, em algumas pessoas com manifestações severas da doença, o sistema imunitário não reagiu de forma tão expedita, tendo sido possível detetar formas competentes do vírus 10 a 20 dias depois do aparecimento dos primeiros sinais. De acordo com os dados disponibilizados pela CDC (Centres for Disease Control and Prevention), ao décimo dia, o risco de transmissão em assintomáticos era de 1,4 por cento.

Assim, de acordo com as normas da DGS, o tempo mínimo preconizado de isolamento é de:

  • sete dias nas pessoas assintomáticas, contados desde a data de realização do teste laboratorial que confirmou o diagnóstico;
  • sete dias nas pessoas que desenvolvem doença ligeira, contado desde o dia de início dos sintomas ou desde a data de realização do teste de diagnóstico nos doentes com incapacidade de datação do dia de início de sintomas. Têm de estar sem febre (sem tomar antipirético) ou com uma melhoria de sintomas durante três dias consecutivos;
  • dez dias nas pessoas que desenvolvem doença moderada, ou seja, que tenha desenvolvido pneumonia (febre, tosse, dispneia e taquipneia), mas sem grande comprometimento da saturação do oxigénio (de valor maior ou igual a 90%);
  • 20 dias nas pessoas que desenvolvem doença grave;
  • 20 dias nas pessoas com imunodepressão, independentemente da gravidade da evolução clínica.

Se estiver positivo, é preciso fazer teste após o isolamento?

O fim das medidas de isolamento não obriga à realização de um teste laboratorial para SARS-CoV-2, ou seja, não é necessário obter um resultado negativo num teste à covid-19 para voltar a sair de casa e retomar a vida normal.

As pessoas que recuperaram de covid-19 e que cumpriram os critérios de fim de isolamento não realizam novos testes laboratoriais para SARS-CoV-2 nos 180 dias subsequentes ao fim do isolamento. A exceção é apenas para quem desenvolva novamente sintomas sugestivos de covid-19: tosse ou agravamento do padrão habitual, febre (temperatura igual ou superior a 38ºC), dificuldade respiratória, e/ou anosmia (perda do olfato), ageusia (perda do paladar) e disgeusia (alteração do paladar), sem outra causa atribuível.

Não fazer o teste à covid-19 representa risco?

Anteriormente, era necessário apresentar dois testes RT-PCR negativos em menos de 24 horas para declarar o fim do isolamento.

A evidência decorrente de estudos de infecciosidade e epidemiológicos, incluindo doentes com covid-19 e seus contactos próximos, indicam que duração da infecciosidade depende sobretudo da gravidade da doença desenvolvida e da competência da resposta imunitária. Assim, a determinação do fim do isolamento assenta numa estratégia baseada nos sintomas e nas variáveis clínicas individuais, conforme avaliação médica, independentemente do contexto demográfico ou profissional.

Tive um contacto com um caso positivo. O que tenho de fazer? 

Se contactou com alguém que está positivo para a covid-19 deve ligar imediatamente para a linha SNS 24. Tendo em conta diferentes critérios, o contacto será classificado como de alto ou baixo risco.

Um contacto é uma pessoa que esteve exposta a um caso confirmado de infeção por SARS-CoV-2, dentro do período de transmissibilidade/infecciosidade, que será:

  • em casos sintomáticos, desde 48 horas antes da data de início de sintomas de covid-19 até ao dia em que é estabelecido o fim do isolamento dessa pessoa;
  • em casos assintomáticos, desde 48 horas antes da data da colheita da amostra biológica para o teste laboratorial para SARS-CoV-2 até ao dia em que é estabelecido o fim do isolamento dessa pessoa.

Contacto de alto risco

São considerados contactos de alto risco as pessoas que:

  • coabitam com o caso confirmado, exceto se apresentarem esquema vacinal primário completo com dose de reforço ou com história de infeção por SARS-CoV-2/covid-19 nos 180 dias subsequentes ao fim do isolamento.
  • residem ou trabalhem em Estruturas Residenciais para Idosos (ERPI) e outras respostas similares dedicadas a pessoas idosas, comunidades terapêuticas e comunidades de inserção social, bem como os centros de acolhimento temporário e os centros de alojamento de emergência, unidades de cuidados continuados integrados na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI).

Os contactos de alto risco estão sujeitos a isolamento profilático, no domicílio ou noutro local definido ao nível local pela Autoridade de Saúde. Devem realizar um teste laboratorial molecular (RT-PCR) ou teste rápido antigénio de uso profissional (TRAg), o mais precocemente possível, até ao 3.º dia após a data da última exposição ao caso confirmado. O fim do isolamento profilático é estabelecido após a obtenção de um resultado negativo num teste laboratorial RT-PCR ou rápido antigénio de uso profissional (TRAg), realizado ao 7.º dia após a data da última exposição ao caso confirmado.

Em situações em que o risco de geração de cadeias de transmissão a pessoas com condições associadas a evolução para covid-19 grave é alto (avaliação caso a caso), a Autoridade de Saúde pode determinar o isolamento profilático até ao 14.º dia após a exposição ao caso confirmado de infeção por SARS-CoV-2.

Durante o período de isolamento profilático, deve ser realizada vigilância ativa. Ou seja, automonitorizar e registar diariamente sintomas compatíveis com covid-19, bem como medir e registar a temperatura corporal, pelo menos uma vez por dia, e contactar o SNS 24 se surgirem sinais e/ou sintomas compatíveis com covid-19.

Contacto de baixo risco

Todas as restantes situações em que houve um contacto com um caso confirmado de infeção por SARS-CoV-2 são consideradas de baixo risco. 

Os casos considerados contactos de baixo risco não necessitam de ficar em isolamento profilático, mas têm de realizar testes laboratoriais para SARS-CoV-2 (RT-PCR ou TRAg), o mais precocemente possível, até ao 3.º dia após a data da última exposição ao caso confirmado. 

Também devem limitar as interações com outras pessoas, reduzindo as suas deslocações as indispensável (por exemplo, trabalho, escola, casa, entre outros) e evitar o contacto com pessoas com condições associadas a maior risco de desenvolvimento de covid-19 grave. Deve, ainda, manter as medidas preventivas em permanência: uso de máscara cirúrgica, distanciamento social e higienização das mãos. 

Todos os contactos (independentemente do grau de risco) devem adotar as seguintes medidas durante 14 dias desde a data da última exposição:

  • utilizar máscara cirúrgica, em qualquer circunstância, em espaços interiores e exteriores;
  • manter-se contactável;
  • automonitorizar e registar diariamente sintomas compatíveis com covid-19, bem como medir e registar a temperatura corporal, pelo menos, uma vez por dia;
  • contactar o SNS 24 se surgirem sinais e/ou sintomas compatíveis com covid-19.

 

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